comida é afeto

Comida de verdade

um artigo de
Juliana Dias



“Não coma nada que sua bisavó não reconheceria como comida”, Michael Pollan, autor do livro Em defesa da comida: um manifesto.

 

Você já ouvir falar em comida de verdade? A expressão “comida de verdade” tornou-se corriqueira para diferenciar alimentos saudáveis tanto para a saúde humana como para o planeta.São cultivados e preparados por pessoas reais com rosto, nome e sobrenome. O jornalista norte-americano Michael Pollan foi pioneiro em falar sobre realfood em seus livros, a partir de 2006.

No Brasil, o termo começou a circular com mais visibilidade a partir de 2014 com a publicação do “Guia Alimentar para a População Brasileira” (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf). Dentre os princípios citados, afirma-se que “a alimentação é mais do que nutriente”. Por isso,importa o contexto social, cultural e ambiental das práticas alimentares. Ou seja, escolher alimentos estritamente pelo seu valor nutricional pode excluir outras dimensões fundamentais da alimentação.

Em 2015, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) lançou o Manifesto da Comidade Verdade, com a assinatura de quase 2 mil representantes das cinco regiões do Brasil. Durante 15 anos esse conselho, formado em sua maioria por cidadãos e cidadãs com as mais distintas origens sociais, profissionais e regionais, aconselhou diretamente à Presidência da República nas questões relacionadas à alimentação e nutrição. Além de importantes contribuições para a sociedade brasileira no campo da garantia do direito à alimentação, produção e consumo alimentar, meio ambiente e culturas alimentares, o Manifesto trouxe um sentido ampliado sobre a complexidade do comer. O Conselho foi extinto por meio da Medida Provisória Nº870 no dia 1º de janeiro de 2019.

Esta compreensão conecta todas as dimensões da existência humana, inclusive a espiritual. Segundo o texto, a comida de verdade é


 

(...) salvaguarda da vida. É saudável tanto para o ser humano quanto para o planeta, contribuindo para a redução dos efeitos das mudanças climáticas. Garante os direitos humanos, o direito à terra e ao território, à alimentação de qualidade e em quantidade adequada em todo o curso da vida (...).

começa com o aleitamento materno. Comida de verdade é produzida pela agricultura familiar, com base agroecológica e com o uso de sementes crioulas e nativas. É produzida por meio do manejo adequado dos recursos naturais levando em consideração o princípios da sustentabilidade e os conhecimentos tradicionais e suas especificidades regionais. É livre de agrotóxicos,de transgênicos, de fertilizantes e de todos os tipos de contaminantes.

 


Para colocar em prática essa visão da comida de verdade, as recomendações do Guia trazem dez passos da alimentação saudável. Os passos 7 e 8 estimulam o hábito de cozinhar e planejar o tempo para as refeições. Este envolvimento com a comida é certamente um caminho promissor para conhecer melhor o que se come e suas relações com quem produz, a cultura, a memória, a história e os afetos.Confira:



7 - Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias

Se você tem habilidades culinárias,procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens,sem distinção de gênero. Se você não tem habilidades culinárias – e isso vale para homens e mulheres –, procure adquiri-las. Para isso, converse com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos e... comece a cozinhar!



8 - Planejar o uso do tempo para dar à refeição o tempo que ela merece

Planeje as compras de alimentos, organize a despensa doméstica e defina com antecedência o cardápio da semana. Divida com os membros de sua família a responsabilidade por todas as atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Faça da preparação de refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer. Reavalie como você tem usado o seu tempo e identifique quais atividades poderiam ceder espaço para a alimentação.



Então, que tal começar 2019 com uma agenda saudável de verdade? Abra espaço na sua vida para cultivar a comida de verdade.



Juliana Dias é mãe do Daniel, jornalista e pesquisadora na área de alimentação, comunicação e cultura. Possui doutorado em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia (HCTE/UFRJ) e mestrado em Educação em Ciências e Saúde(Nutes/UFRJ). Coordena os cursos de pós-graduação e extensão em Jornalismo Gastronômico na Facha. É integrante do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).

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